Atividade - Aula 10 online
Por Bruno Pacheco Ferreira
Resenha
– Hipertexto e Construção do Sentido
Em seu estudo “Hipertexto e Construção do Sentido”,
Ingedore G. Villaça Koch (2007) detalha as características do hipertexto como
objeto, dando atenção principal à sua não-linearidade e ao modo como este
aspecto lhe permite expandir seu sentido para muito além do que o texto
impresso permite. Com o hipertexto, temos acesso a uma variedade de informações
que podemos apreender na ordem que quisermos, como uma teia de conteúdos pela
qual cada um trafega por caminhos diferentes a cada leitura, como ilustra a
Figura 1.
Figura
1: exemplo ilustrativo dos textos interligados que formam o hipertexto. Fonte: https://web.fe.up.pt/~ssn/disciplinas/cdi/www/4.html
Mas justamente por causa desta liberdade de escolha quanto
ao caminho a ser traçado durante a leitura, é fácil demais para o leitor perder
o foco da pesquisa e vagar sem rumo pelos hiperlinks, e impossível para o autor
controlar essas escolhas ou mesmo prevê-las com plena precisão. Ao invés disso,
para evitar a perda do rumo por parte do leitor, cabe ao produtor do texto
oferecer links coerentes, que permitam a uma grande quantidade de usuários a
oportunidade de aprofundar seu aprendizado dentro do tema que está sendo
abordado. Segundo Koch (2007, p. 34), “é importante que o produtor considere
quais os conhecimentos necessários para a compreensão dos outros tópicos, isto
é, aqueles módulos de que o usuário necessita para compreender o módulo em tela”,
daí a necessidade de oferecer ligações enriquecedoras que mantêm a navegação
organizada.
Por Mateus Dottein
Em Hipertexto
e a Construção do Sentido, publicado em 2007 por Ingedore G. V. Koch, a autora busca levantar um panorama de
informações e conceituações acerca dos hipertextos, abrangendo as suas
modalidades e características compositoras, além de evidenciar questões
importantes em relação à natureza volátil dos mesmos. O texto conta com um
referencial bibliográfico amplo, dentre os quais Lévy, Marcuschi, Storrer e
Stutterheim.
O texto foi estruturado em seis partes, a
começar pela conceituação dos hipertextos. Para tal, Koch reúne uma amplitude
de definições bibliográficas, baseadas no corpus literário do tema, para depois
agrupá-las em dez itens que irão constituir (segundo a autora) tudo aquilo que
diz respeito aos hipertextos. Para dar sequência à conceituação e
caracterização dos hipertextos, Koch mergulha um pouco mais afundo,
contemplando já na terceira parte de seu texto a respeito dos links e nós (isto
é, os hiperlinks) que irão formar a trama de textos e operar
como uma das (se não a) principal característica dos hipertextos.
É, portanto, a partir deste fenômeno que temos
uma série de questões a observar acerca do assunto. E é exatamente isto que se
discute na quarta e quinta parte, “Demandas linguísticas e cognitivas” e
“Suportes para a construção da coerência no hipertexto” respectivamente, onde
Koch primeiro evidencia as características apresentadas na segunda parte e as
suas implicações daí oferecidas para o hiperleitor (discutidas brevemente
adiante), para em seguida levantar uma série de apontamentos que irão
clarificar (na medida do possível) as questões mais pertinentes – ainda que às
mesmas não possuam solução, dada a natureza do ambiente em que os hipertextos
permeiam.
Segundo Koch (2007), “no hipertexto a
multiplicidade de leituras é condição mesma de sua existência: sua estrutura
flexível e não-linear favorece buscas divergentes e o trilhar de caminhos
diversos”, o que vem de encontro com as questões discutidas anteriormente,
assim como faz ligação com as sugestões implicadas posteriormente. Este
multicentramento não-linear, portanto, irá fazer de cada hiperleitura uma
leitura única, baseada nos objetivos de quem lê (assim como em uma série de
fatores socioculturais), e que, por tal, farão do leitor um coautor (uma vez
que é ele mesmo quem tece a sua leitura, através dos hiperlinks). Koch finaliza
o trabalho com as Considerações finais, onde irá avaliar e reunir as alegações
realizadas durante seu texto.
Temos aí, então, um trabalho de qualidade que
não apenas irá conceituar os hipertextos e as suas modalidades de forma direta
e eficiente, mas trará também para a conversa apontamentos pertinentes e bem
trabalhados, estruturados em um amplo corpus bibliográfico, que, ainda que
brevemente, irá evidenciar e discutir factualmente os pontos chaves dos
hipertextos (que estão devidamente listados na segunda parte da obra).
Referência:
KOCH, Ingedore G. V. Hipertexto e a Construção do Sentido. Alfa, São Paulo, v. 51, n. 1,
2007.

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