Aula 16 - Artigo de opinião

Novas tecnologias e sua influência na opinião de massa

 

“Great minds think alike”. Este é um famoso ditado americano. Traduzido para o português, significa: “grandes mentes pensam semelhante”. Mas o que acontece quando se leva esta frase popular a sério demais? Pior ainda: o que acontece quando se acredita cegamente em alguma coisa que surgiu nas redes sociais, apenas porque muita gente já viu e também acredita? A resposta é bastante simples, porém assustadora: nos tornamos vítimas (e ao mesmo tempo, cúmplices) de uma corrente de desinformação.

O Brasil, a começar pelo século XX, tem uma longa história de manipulação da opinião da massa perpetuada através das tecnologias. Com a chegada da TV nos anos 50, a televisão brasileira é então fundada por empresários e sancionada por políticos. Não é de surpreender, portanto, que assume logo de imediato uma faceta que é por um lado consumista, e, por outro, política. Consumista, pois os empresários, donos das emissoras, arrecadavam dinheiro através dos anúncios, que eram apresentados (vendidos) ao seu contingente de telespectadores. Política, pois sendo a sanção de uma nova emissora aprovada diretamente pelo presidente da república, este à concedia apenas para aliados políticos.

Mas o controle das opiniões não se da apenas deste fato. As programações eram (e, por extensão, são ainda hoje) produzidas não apenas por escritores, mas também publicitários e, portanto, são confeccionadas a fim de que sejam amplamente consumidas, isto é, para que vendam bem. Desta forma, a utilização de estereótipos, comédia barata (que muito frequentemente infere aos estereótipos), erotismo, idiossincrasias populares e outros fatores foram amplamente utilizados. Isto, sendo repetido ao longo de muitas décadas, inseriu opiniões e moldou o comportamento do brasileiro.

É, no entanto, a partir da segunda década do século XXI que uma nova forma de tecnologia passa a ganhar mais popularidade e, eventualmente, mais prevalência sobre a formação de opiniões. A rede de internet, mecanismo através do qual uma rede inimaginável de conteúdos é publicada, arquivada e disseminada por uma quantidade igualmente inimaginável de usuários, passa a ganhar cada vez mais usuários, conforme seu acesso passa a ser ampliado para um público cada vez maior de pessoas no Brasil. Ademais, os celulares (que são mais baratos que computadores) também potencializam o acesso à internet. Desta ampla acessibilidade à rede de internet surge, portanto, as fake news, notícias falsas com o intuito de influenciar a opinião política, religiosa, social, etc. O resultado das fake news na formação de opinião do brasileiro são explícitas, como observado no período eleitoral de 2018, mas é importante observar que daí surge também uma espécie de “ecossistema” de informações falsas ou, para melhor às descrever, incorretas – pois quem às cria e/ou compartilha muitas das vezes já não sabe mais o que é certo e o que é errado, ou simplesmente não possui autoridade suficiente para falar sobre o assunto.

Assim, compreendemos que a desinformação é um mal que assola a sociedade moderna, e sua disseminação foi fortemente facilitada pelo advento das novas tecnologias. Devemos tomar cuidado para não espalhar falsidades, mas isso será possível apenas quando desenvolvermos nossa habilidade de pensar por conta própria. Não é inteligente acreditar em qualquer coisa que se destaca na Internet só porque “grandes mentes pensam semelhante”. Aliás, esse nem mesmo é o ditado completo. Existe uma segunda parte, menos conhecida, que diz: “(...) but fools rarely differ”. Em português, fica: “mas tolos raramente divergem”. Então, da próxima vez que ouvir sua mãe dizer que “você não é ‘todo mundo’”, lembre-se que ela está com toda a razão.


Escrito por Bruno Pacheco Ferreira e Mateus Henrique Dottein.


Referências:

HARTOG, Simon. Muito Além do Cidadão Kane. Inglaterra: Large Door Ltd, 1993. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=s-8scOe31D0>. Acesso em: 08 out 2021.

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