Atividade 02 - Aulas 06 e 07 online

Autores das resenhas: Bruno Pacheco Ferreira (1ª e 2ª resenhas) e Mateus Dottein (3ª resenha).


Resenha – O Hipertexto e as Práticas de Leitura

 

            Em seu estudo “O Hipertexto e as Práticas de Leitura”, a pesquisadora Eliane Arbusti Fachinetto explica como as novas tecnologias da informação afetaram as práticas de leitura. Ela defende que, devido ao meio eletrônico no qual os textos são transmitidos, houve uma revolução nos hábitos de leitura. Os textos, não mais limitados pelo espaço físico, têm sua aparência e disposição ativamente determinadas pelo leitor, baseado no rumo que ele toma na leitura de textos na tela do computador. Assim, a leitura de hipertexto envolve uma participação mais direta do leitor, editando o texto a ser lido de uma forma que não é possível no texto em papel, cujo espaço físico e conteúdo são fixos. Isto é interessante para mim, pois significa que a experiência de cada leitor é única e tem sua própria identidade.

Fachinetto explica que o hipertexto é uma coleção de informações formada por nós, como as páginas, imagens, e elementos de informação, e as ligações entre esses nós, como referências, notas, e botões de navegação. Basicamente, trata-se de um texto estruturado em rede, suas várias ligações permitindo a produção de um texto mais dinâmico, cuja estrutura muda a cada nova leitura. Os textos em mídia física possuem suas ligações a outros textos, como pode ser visto em referências e notas de rodapé. Porém, o meio eletrônico permite acessar essas ligações entre textos com maior agilidade, em um processo chamado de navegação. Como um estudante da era digital, me sinto grato pela facilidade de acesso que tenho às informações que procuro em minhas pesquisas. Atualmente, a consulta de livros físicos é uma lembrança vaga para mim, uma prática de meus tempos de estudante antes da virada do milênio.

Como a leitura de um hipertexto é determinada pelo caminho percorrido pelo leitor, pode-se dizer que o hipertexto é um dispositivo cognitivo, no qual é possível fazer saltos e associações no momento da leitura. Por causa disso, é praticamente impossível para o criador de um hiperdocumento prever o percurso que o leitor irá tomar. Cabe ao leitor manter o foco no momento da leitura, de modo a não perder o objetivo da pesquisa. Para esse fim, eu acho importante lembrar das ferramentas disponíveis nos programas de navegação, como os botões de voltar e avançar em um navegador na Web, e até nos próprios websites visitados, como no caso do YouTube, que grava um histórico de exibição para o qual o usuário pode recorrer. São recursos muito úteis que me permitem voltar atrás em minha navegação e traçar um novo caminho ou resgatar um conteúdo visto anteriormente.


Resenha – Ensino e novas tecnologias – Conexão Futura (Canal Futura)

 

            Em uma entrevista ministrada por Larissa Werneck no canal Futura, foi levantada a questão do uso das novas tecnologias na gestão de aulas das escolas públicas brasileiras. Trata-se de uma meta do plano nacional de educação para inserir práticas pedagógicas inovadoras através das tecnologias modernas. No entanto, esta proposta ainda não é uma realidade na rede pública, devido a elementos como a infraestrutura das escolas e a falta de capacitação dos professores. A entrevistadora ilustrou este ponto ao comentar que apenas metade das escolas públicas do país têm acesso à Internet. Como ex-aluno da Licenciatura em Letras, pude observar tais problemas de infraestrutura (junto com a falta de equipamentos) durante o Estágio Curricular, quando visitei escolas para observar suas aulas.

            Os profissionais entrevistados foram o professor Celso Antunes, consultor de educação do canal Futura, a diretora-executiva do instituto Educa Digital, Priscila Gonsales, e a jornalista Priscila Fernandes, editora do Blog Educação. O consenso geral entre eles foi que o objetivo do uso das tecnologias modernas é transformar professor e aluno em produtores de conhecimento e não apenas consumidores. Também foi destacado que o ecossistema do ensino público requer resultados, e uma grade curricular fixa, assim dificultando as inovações nas lições por parte do professor. Também fui capaz de observar esses aspectos durante meus estágios, visto que as escolas que observei faziam uso constante de elementos padronizados da gestão escolar tradicional, como o livro didático, mas também promoviam eventos que incentivavam os alunos a produzir seu próprio conteúdo baseado nos textos que estudaram. Havia a tentativa de produzir novo conteúdo, mas com pouco ou nenhum uso de novas tecnologias.


TIC’s na educação: a utilização das tecnologias da informação e comunicação na aprendizagem do aluno é um artigo acadêmico que busca evidenciar as vantagens do uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) no processo de ensino-aprendizado dos educandos. Realizado por Cláudio de Oliveira e Samuel P. Moura, acadêmicos do 9º período do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, sob a orientação de Edinaldo R. Sousa, professor do Curso de Pedagogia da UESPI - Campus Dom José Vásquez Díaz, o artigo levanta apontamentos e hipóteses referenciando-se a partir das literaturas de F. Imbérnon, M. Silva, R. S. Vieira e J. M. Moran e, ainda que em menor grau, as de P. Perrenaud e E. Rolkouski.

Dividido em 9 partes (abordadas individualmente adiante), o texto conta com bom referencial teórico, articulação pontual de suas ideias e, no entanto, um número muito grande de erros ortográficos – pelo menos um por parágrafo! No tocante de cada uma de suas partes, os autores às descrevem da seguinte maneira:

[...] na seção 2 apresentamos as Tecnologias de Informação e Comunicação, na seção 3 abordamos as TICs no aprendizado do aluno, na seção 4 relatamos sobre as Novas Tecnologias e novas formas de aprender, na seção 5 descrevemos sobre A integração dos meios de comunicação na escola, seção 6 destaca-se os Encaminhamentos metodológicos, na seção 7 abordamos a Análise bibliográfica, versamos na seção 8 sobre as Discussões, e encerramos na seção 9 com as Considerações finais. (OLIVEIRA; MOURA, p. 77)

A primeira parte introduz os objetivos que o estudo busca atingir, assim como as hipóteses nas quais se baseia e das quais quer levantar. Além disso, faz a iniciação teórica no assunto abordado, através do apontamento de fatos pertinentes ao escopo da pesquisa. A segunda parte, intitulada Tecnologias de Informação e Comunicação descreve o que são as tecnologias de informação e comunicação (TICs) e aponta para a influência que estas possuem sobre os educandos, assim como a responsabilidade dos educadores em dominá-las (em maior ou menor grau), de tal modo que possam utilizá-las adequadamente durante o ensino.

A terceira parte, As TICs na Aprendizagem do Aluno, traz à tona a importância das TICs no desenvolvimento social e curricular dos educandos, apontando que o uso das TICs deve ser feito de forma integral e não como mero aparato marginal. Destaca-se aqui ainda fatores como o rompimento das barreiras geográficas que a tecnologia oferece aos educadores e outros fatores que auxiliam no desenvolvimento crítico dos alunos.

Novas Tecnologias e Novas Formas de Aprender é o título da quarta parte do artigo, onde destaca-se em maior grau a prioridade em formar educadores aptos a lidar com as TICs, que não apenas às conheçam, mas dominem-nas como ferramentas de integração ao ensino, guiando seus alunos de forma adequada através da formação escolar moderna com total usufruto das possibilidades oferecidas pelas TICs.

A quinta parte, A Integração dos Meios de Comunicação na Escola, pondera a respeito do ontem e do hoje e como o ensino deve resgatar, de modo à auxiliar no aprendizado, os valores e cultura dos educandos, a fim de proporcioná-los uma experiência mais ativa e significativa durante o ensino – não sem considerar todos os âmbitos aos quais as TICs podem ser aplicadas neste contexto.

A sexta parte traz a justificativa bibliográfica do artigo, e a sétima apresenta as conceituações de TICs como são significadas pelos referenciais teóricos e as correlações entre um e outro. O item número 8 vai amarrar todas as hipóteses até então apresentadas e levantadas, além de uma discussão baseada em observações da realidade, tanto positivas quanto negativas, do processo de integração das TICs no ensino-aprendizagem. A nona e última parte é, em essência, como o item número 8.

O artigo, ainda que possua um bom referencial teórico, e ainda que seja em muito relevante para o momento atual, falha em aprofundar o assunto para além do superficial – não discute as condições sócio-econônimas do Brasil e nem formula a implementação efetiva (!) das TICs no processo de ensino-aprendizagem nas escolas brasileiras. A escrita, ainda que em essência seja boa, apresenta inúmeros erros ortográficos e de tipografia – algo que acaba atrapalhando um bocado durante a leitura. O texto é, para todos os fins, um apanhado dos benefícios que devem e/ou podem ser aproveitados a partir das TICs no sistema de ensino – e nada muito além disto.

 

Referência: OLIVEIRA, Cláudio; MOURA, Samuel P. TIC’s na educação: a utilização das tecnologias da informação e comunicação na aprendizagem do aluno.


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